quinta-feira, 10 de julho de 2014




Contar histórias em ambiente hospitalar é muito mais que entretenimento. É a possibilidade de criação/vivência de um espaço subjetivo que, através de atividades literárias, plásticas, cênicas e lúdicas, possibilita: diminuição do sofrimento da
internação e alívio da privação do brincar, do ir à escola, da ausência do convívio familiar e da participação em atividades de lazer e culturais.
Shiniata Alvaia de Menezes























sexta-feira, 4 de março de 2011

Ele é o cara!

Por Galeno Amorim

Flávio é um bom menino. Educado e atencioso, ele está sempre ligado nas explicações da professora. Tem aulas pela manhã e à tarde e dá um duro danado pra dar conta de tudo.

Todo santo dia o menino pula da cama às quatro da manhã. Só lá pelas oito da noite é que ele conseguirá voltar pra casa. É quando ele, então, janta, descansa um pouco e já começa a se preparar para a maratona do dia seguinte. É uma jornada e tanto.

Flávio viaja diariamente entre São Joaquim da Barra, onde mora com a família, no interior de São Paulo, e Ribeirão Preto, onde ele estuda.

De manhã, o menino está matriculado na EMEF Raul Machado, uma escola pública do bairro de Santa Cruz do José Jacques, onde tem aulas regulares. Depois do almoço, frequenta os cursos de canto, informática, atividades manuais e muito mais.

Flávio dos Santos não faz a menor ideia do que vai ser quando crescer. Só tem um sonho: gostaria de ser cantor. Um cantor de música gospel.

***

Pelo menos duas vezes por mês, Flávio vai com os amigos à biblioteca. Lá, está sempre à cata de algum livro novo. Ultimamente, andou lendo Reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato.

Agora, embora não tenha mais do que 10 anos, ele anda muito interessado em livros para garotos mais velhos do que ele. Andou experimentando livros do Pedro Bandeira recomendados pelos amigos de mais idade, com aventuras de adolescentes sobre amizade, namoricos e coisa e tal.

Ele gosta mesmo é de ler.

***

E por que será que Flávio dos Santos faz tanta questão assim de ler? Por uma razão simples, como ele próprio explica, na sua simplicidade avassaladora: só assim, ele diz, ficará mais sabido e com mais chance de ser alguém na vida. Simples assim...

Menino esperto com uma vida entre amigos e brincadeiras próprias da idade, Flávio dá sempre jeito de ficar perto dos livros e se deliciar com a leitura.

Como ele faz isso?! De duas maneiras: tem horas que esfrega o dedo indicador no papel saliente e vai decodificando, palavra por palavra, até que forma frases inteiras e mesmo pensamentos; em outras, quando se cansa um pouco da rotineira leitura pelo sistema braille, que aprendeu para se alfabetizar, ele põe um audiolivro no tocador de CD.

Cego desde que se deu por si, nessas horas tudo, então, parece ficar mais claro pra ele. E Flávio pode curtir a doce sensação de enxergar longe e contemplar seu admirável mundo novo.

Assim, quase sem tempo pra ler, com um acervo limitado de livros a sua disposição e um sem-fim de dificuldades, Flávio, leitor e cidadão, dá uma lição diária pra muita gente.

Ele, decididamente, é o cara!

PS: Flávio dos Santos frequenta a Adevirp, a Associação dos Deficientes Visuais de Ribeirão Preto, uma ONG que faz um bonito trabalho com pessoas de baixa visão ou cegas como ele.

Moderna
O pescador de leitores

Por Galeno Amorim

O dia ainda não amanheceu. Mas Seu Joaquim, experiente com as rédeas, manobra com destreza até estacionar a velha carroça na frente da casa. E sem fazer ruído, que barulho, como ensinou o poeta, de nada resolve...

Às cinco em ponto tem início o ritual de sempre, que há anos se repete com fervor quase religioso. O dono da casa, ainda sonolento, logo aparece. Em vez de ralhar, ajuda o bom homem, que ajeita os sete caixotes e as duas estantes no carrinho de tração animal.

Em minutos, eles tomam o rumo do estádio do glorioso Pirapora Futebol Clube. Passam solenemente por ele, mas não param. Pouco depois a corrida chega ao seu final. O carro para, sem nenhum pudor, no meio da via pública. Homens e mulheres montam ali, ruidosamente, as suas barracas.

É praticamente uma operação de guerra. Sobre as bancas, eles ajeitam, cuidadosamente, as dúzias de laranjas. E os tomates e as verduras colhidas de véspera. Só então a misteriosa carga é, enfim, descarregada. Mas tudo com muito cuidado.

Léo do Peixe está radiante. Saca duas notas de dez reais do bolso e paga pelo carreto. Domingo é dia de feira livre! Durante a semana, Leonardo da Piedade Diniz Filho, pescador profissional, comercializa o resultado do seu trabalho na própria casa. E nos finais de semana, ele faz a feira.

Chova ou faça sol, a freguesia certa sempre aparece pra comprar os peixes que, há duas décadas, ele tira das águas do Velho Chico, no Norte de Minas. Quase em frente à barraca dele, fica a banca da mulher, que vende roupinhas de crianças.

Quando as caixas são, finalmente, abertas, vem a surpresa: ali nada é perecível. Mas, afinal, o que há lá dentro?! Livros! São livros à mão-cheia, que nas horas seguintes serão emprestados, de graça, para quem aparecer por ali com vontade e disposição para ler.

Quando o dia finalmente clareia, perto de uma centena de leitores se aglomera diante da inusitada barraca da feira. Em vez de embrulhos com batatas e bananas, o que eles enfiam na sacola é uma outra categoria de alimento - sim, um alimento para a alma.

Lobato, Machado, Eça, Coelho... Não importam os nomes: muitos vão lá pelo simples prazer de acariciar as obras. Uns leem por lá mesmo; outros, levam para casa, e só devolvem no domingo seguinte.

É assim, sem qualquer burocracia, que funciona, nos finais de semana, o Clube de Leitura de Pirapora, no Alto do Rio São Francisco. Simples assim!

Tudo começou por uma razão puramente pessoal: o medo que Léo do Peixe tinha de que os filhos pudessem não se interessar pelos livros, já que o pai - este sim, um leitor ávido e apaixonado pela literatura - quase não parava em casa, por causa da rotina de trabalho puxada.

Os primeiros leitores foram os próprios filhos. Mas logo apareceram os filhos dos outros feirantes e, hoje em dia, passam de 400 os sócios do clube. Muitos vão à feira só pelo prazer dos livros. Léo até precisou recrutar ajudantes pra dar conta do novo trabalho.

Mas vale a pena, ele diz. E tanto que resolveu repetir a experiência em outros cantos da cidade. Como a biblioteca pública local não abre nos finais de semana, o sucesso não tardou. Quando perguntam por que ele faz isso, o pescador de leitores tem a resposta na ponta da língua:

- É que quem não lê acaba virando cidadão de segunda classe...

Moderna


quarta-feira, 26 de maio de 2010

OFICINA - MINISTROS DA ALEGRIA

Esta oficina foi realizada com o objetivo de ensinar aos futuros palhaços visitadores de crianças hospitalizadas, tudo que um palhaço precisa aprender para ser um bom visitador. A Palhaça Mariquinha ministrou a aula de contação de histórias. No final da aula todos puderam ouvir a história:
O Segredo da Lagartixa
Autores: Letícia Dansa e Salmo Dansa


















Quer descobrir qual é o segredo da lagartixa???

Aí eu vou ter que contar a história pro cê, uai!!!!

terça-feira, 20 de abril de 2010

Hospital da Baléia

Contar histórias...
Existem momentos que é preciso mudar algumas partes da história, é neste momento que algo sobrenatural acontece, a história ganha um contexto que vai muito além do que conseguimos ver e sentir...
É muito baum... CONTAR HISTÓRIAS

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Apresentação da peça: O presente da Genésia...


Comprei um presente para minha amiga Genésia, mas eu precisava comprar um papel bem bonito para embrulhar o presente ...
Pamonha logo se prontificou para tomar conta do presente enquanto eu fui comprar o papel...
Vcs nem
imaginam
o que a
Pamonha aprontou com o presente da minha querida amiga Genésia!!!!!